As escolhas dos pares e seus mistérios! - por Eliana Teixeira Barbosa Pinto
- Essência Psicologia e Medicina
- 2 de abr. de 2022
- 2 min de leitura

Geralmente o que ouvimos sobre estar atraída por alguém é a frase: “Ele é meu tipo. Tem algo que me fisga e nem sei bem o que é, mas não resisto”! O que pode significar uma atração por um tipo de aparência física, ou de personalidade que incita as pessoas a estarem juntas. Mas alertamos para a possibilidade de que, o que de fato realça o “tipo” de um homem/mulher atraente é uma sensação de familiaridade.
Exemplificando: Não é por coincidência que pessoas que tiveram pais mal humorados, frequentemente escolhem companheiros(as) ranzinzas ou introspectivos; homens/mulheres que tiveram pais paternalistas escolhem homens/mulheres super protetores e por vezes possessivos; as que tiveram pais alcoólatras são atraídas por companheiros(as) que bebem um bocado, ou aquelas que tiveram pais reservados, críticos vejam-se casadas com cônjuges retraídos ou exigentes. Referimo-nos aqui a escolhas que podem acontecer nas diversas configurações que formam uma parceria de casal.
E nos vem a pergunta que não quer calar, por que fazem isso consigo mesmas¿ Porque a atração por esse sentimento “familiar” dificulta distinguir o que elas querem como adultas, daquela que experienciaram quando crianças. Desenvolvem uma atração inquietante por pessoas que compartilham as características de um genitor e que, sob algum aspecto as magoou ou cerceou sua liberdade. No início de um relacionamento essas características mal são perceptíveis, mas estão no inconsciente, onde há um sistema de radar bem afinado, inacessível à mente consciente. Contudo, vale alertar que não é que as pessoas queiram se machucar novamente, mas talvez, podem ter o desejo de dominar uma situação na qual se sentiam impotentes quando crianças. Como se dissessem para si mesmas: “Talvez desta vez eu possa voltar e curar aquela ferida de tempos atrás ao me envolver com alguém familiar, porém novo”. No entanto, ao escolher companheiros familiares as pessoas asseguram o resultado oposto: elas reabrem feridas e se sentem ainda mais inadequadas e indignas do amor. Há quem diga querer um parceiro confiável, amoroso, tranquilo, mas toda vez ao conhecer alguém que dizia ser o seu tipo, seguia-se caos e frustração por se atrair por alguém que na sequência era o oposto. Já numa situação inversa, depois de um encontro com um sujeito que parecia possuir muitas qualidades almejadas por ela, afirmava que não rolou química! Talvez no seu inconsciente a estabilidade emocional do outro pareceu estranha demais a ela.
Enfim, importa considerar e aceitar que nossas escolhas não são assim tão elaboradas e óbvias como desejaríamos que fossem, é preciso ir mais a fundo naquilo que nos fisga!



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